1% da população possui 80% da riqueza do mundo


Gabriele Maniezo

Segundo relatório “Recompensar o trabalho, não a riqueza” publicado pela Ong Oxfam, em todo o mundo, 82% da riqueza mundial produzida em 2017 ficou nas mãos de 1% da população mais rica.

Entre março de 2016 e março de 2017, vivenciamos o maior aumento na história no número bilionários, com um novo a cada dois dias!

Mas não se engane. O aumento do número de bilionários não é sinal de uma economia próspera. Na realidade, 50% da população mundial não teve nenhum benefício proveniente do crescimento econômico de 2017. Este aumento de bilionários é apenas um sintoma do fracasso do sistema econômico.

Para exemplificar: só os brasileiros Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim), que são as seis pessoas mais ricas do país, concentram juntos, a mesma riqueza que metade da população brasileira (207,7 milhões). 

É tanto dinheiro que fica até difícil de imaginar. Mas para se ter uma ideia, o relatório da Oxfam mostra que o valor acrescido na renda do 1% mais rico do mundo (762 bilhões de dólares) seria suficiente para acabar SETE VEZES com a miséria MUNDIAL.

Para as mulheres, a situação é ainda pior

As mulheres pobres, mais uma vez são as que mais sofrem. Só na América Latina, as mulheres trabalham quase o dobro de horas dos homens em trabalhos não remunerados. Ainda assim, a cada 10 novos bilionários, 9 são homens. Os dados da organização também apontaram que, mantida a tendência dos últimos 20 anos, as mulheres apenas ganharão o mesmo salário que homens em 2047.

O de cima, sobe

O relatório aponta para a realidade exploratória que está exposta o mundo do trabalho. A exploração está nos trabalhadores que fazem nossas roupas. Que constroem nosso celulares. Que cultivam os alimentos que comemos.

É um barateamento constante da mão de obra, sintoma claro do desmonte de direitos praticado no Brasil e em todo o mundo, que nada mais faz do que aumentar os lucros dos patrões.

A concentração de renda, além de cruel, só é interessante para quem tá em cima. Quanto mais dinheiro se tem, mais fácil se consegue gerar renda e transformar em mais patrimônio.

Reformas de Temer só agravam a situação

A começar pela Lei do Teto (PEC 241/55), que congelou por vinte anos as despesas primárias da União, incluindo com saúde e educação, fica claro a intenção do governo de Temer de manter a desigualdade dali para pior, já que congelar os gastos sociais é claramente um desserviço. Mais do que controlar a quantidade do gasto, é preciso controlar o equilíbrio orçamentário e saber executar o gasto.

Já no que diz respeito a Reforma Trabalhista, temos mais um passo rumo a piora dos índices da Oxfam, já que a precarização do trabalho só vai diminuir os rendimentos e direitos dos trabalhadores e aumentar os dos patrões.

Um primeiro passo que poderia ser dado pelo de imediato governo é a reforma tributária. Rever nosso imposto de renda, acabar com os paraísos fiscais e cobrar tributo sobre dividendos é imprescindível. E isto não significa efetivamente diminuir impostos. França e Espanha, por exemplo, têm mais impostos do que o Brasil, mas a nossa tributação está focada nas classes média e baixa.

Seria um bom começo para um caminho longo, porém, Temer a cada dia que passa mostra que não tem interesse algum em melhorar a vida do trabalhador.

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