Reajuste do salário mínimo fica abaixo da inflação e trabalhador paga o pato


Em 2018, o salário mínimo subiu de 937 reais para 954 reais, um aumento de 1,81%, o menor aumento em 24 anos. Pela lei, o reajuste deve ser conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo IBGE, que marcou 2,07% no ano passado.

Em 2017, a correção já havia ficado abaixo da inflação. O valor foi reajustado em 6,48%, mas o INPC do ano foi de 6,58%, representando uma perda de 0,1% e o primeiro aumento abaixo da inflação desde 2003.

Agora, a perda acumulada em dois anos é de 0,34% e o mínimo retornou ao patamar de 2015, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Conta cara para os mais pobres

E como sempre, a conta vai para o trabalhador. Cerca de 48 milhões de pessoas no Brasil recebem salário mínimo. Se, por exemplo, temos um botijão de gás custando 90 reais, isto representa quase 10% do salário mínimo do trabalhador. O que acontece de fato, é uma grande massa de trabalhadores que não tiveram a recomposição do poder aquisitivo.

O Dieese calcula mensalmente o valor do que seria o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas. O último valor calculado, divulgado em dezembro, é 3.585,05 reais. Isto é, entre o valor do mínimo atual e do que seria justo para manter uma família de quatro pessoas em condições adequadas, há uma diferença de R$2.631,85.

O aumento do salário mínimo para patamares mais justos permitiria o rápido aumento do consumo, levando inclusive à dinamização da atividade econômica.

O salário mínimo é peça central para alavancar a economia, pois impacta de forma direta o ganho de 60 milhões de trabalhadores e de 23 milhões de aposentados. Por isso, é preciso retomar o processo de valorização real verificado ao longo dos governos Lula e Dilma, que permitiu, no acumulado de 2003 a 2016, um aumento real, descontada a inflação, de 77%.

Contra essa tendência, no primeiro ano do governo ilegítimo de Michel Temer, o salário mínimo foi reajustado sem ganho real para os trabalhadores, o que voltará a ocorrer no próximo ano.

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