2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil


O Mapa do Trabalho Infantil, divulgado nesta terça-feira (17), apresenta um quadro das 2,7 milhões de crianças e adolescentes cinco e 17 anos que trabalham no Brasil. Interativo, o mapa traz números que podem ser recortados por faixa etária, gênero, localização e tipo de atividade, passando por agropecuária e trabalho infantil doméstico. 

Dentro destes 2,7 milhões, 15% (406 mil) trabalham com carteira assinada, a partir dos 14 anos. As outras 2,3 milhões seguem sendo exploradas sem a proteção prevista na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei do Aprendiz.

A reportagem da Carta Capital levanta algumas colocações interessantes: Em Minas Gerais e na Bahia são mais de três mil meninas entre cinco e nove anos trabalhando em regiões agrícolas em cada estado. Na Bahia, o número sobe para cerca de seis mil quando se faz o recorte para as crianças do gênero masculino, e em Minas Gerais são quase onze mil meninos.

Outro apontamento interessante do mapa: No Brasil, a cada três crianças em situação de trabalho infantil, duas são do sexo masculino. Entretanto, quando se olha para o trabalho doméstico, 94% são do sexo feminino.

O Mapa do Trabalho Infantil é uma iniciativa Rede Peteca, parte da Associação Cidade Escola Aprendiz com o Ministério Público do Trabalho (MPT). As informações foram retiradas do cruzamento entre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015 e a pesquisa O Trabalho Infantil nos Principais Grupamentos de Atividades Econômicas do Brasil, realizada pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

Desigualdades regionais

Um dos dados que mais assustadores é a desigualdade regional. O Ceará, por exemplo, diminuiu em 77% do trabalho infantil entre 2004 e 2015. Já no Distrito Federal não se apresentou mudanças.

Hoje, no Ceará, são cerca de 74 mil crianças trabalhando, numa população de quase 9 milhões de pessoas. Já no DF, são 18,5 mil em situação de trabalho infantil, numa região com 3 milhões de pessoas. Enquanto no Nordeste predominam os trabalhos relacionados à agropecuária, no Sudeste se concentram as atividades com maior grau de formalização, ou seja, comércio, serviços e indústrias.

118 crianças e adolescentes trabalhando de forma ilegítima em Roraima

na semana passada, uma reportagem da EBC, mostrou uma ação do Grupo Especial de Combate ao Trabalho Infantil do Ministério do Trabalho, que encontrou, durante uma operação em Roraima, 118 crianças e adolescentes trabalhando em atividades listadas como algumas das piores formas de trabalho infantil.

Em atividades prejudiciais à saúde e à segurança das crianças, a operação foi realizada em feiras públicas, carvoarias e no aterro sanitário da cidade, onde foram encontradas 13 crianças trabalhando na coleta dos dejetos.

 

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