Entidades católicas se posicionam contra a PEC da reforma da Previdência

Franciscanos se manifestam contra a reforma em foto que bombou nas redes sociais

Contra a PEC da reforma da Previdência. Esse tem sido o posicionamento de diversas Arquidioceses, dioceses, congregações religiosas e demais segmentos da Igreja Católica. Nesta quarta-feira, 15 de março, auge das manifestações contra a proposta de reforma da Previdência do governo, a Arquidiocese de Londrina (PR), emitiu nota criticando a PEC e se colocando ao lado da classe trabalhadora na luta para derrubar a proposta. “Comprometemo-nos com toda e qualquer iniciativa da classe trabalhadora e suas organizações que venham questionar e exigir o respeito aos direitos já conquistados e digam não a qualquer ameaça de uma suposta reforma que venha anular os direitos já adquiridos”, diz a nota assinada pelo administrador apostólico da Arquidiocese, Dom Manoel João Francisco.
Outra Diocese que também se manifestou contra a reforma, foi a de Caçador (SC). Em nota emitida nesta quinta-feira, dia 16 de março, a diocese denuncia o mito do déficit da Previdência.   “O falso rombo divulgado pelo governo se transforma em superávit, quando soma-se todas as fontes de financiamento… Querem tirar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras para alimentar uma dívida que enriquece empresários, banqueiros e investidores. A Previdência brasileira é um direito social destinado a ajudar pessoas que não conseguem trabalhar por alguma razão – idade avançada, doença, invalidez, maternidade. Diga não à retirada de direitos!” Não fiquemos esperando para ver o que vai acontecer. Já estão roubando os nossos direitos e se calarmos, as consequências serão irreversíveis.”, diz   a nota, assinada pelo bispo da diocese, Dom Frei Severino Clasen.

Franciscanos se manifestam contra a reforma em foto que bombou nas redes sociais

Congregações também se manifestam contra

Não só as dioceses se manifestaram contrários à PEC. Diversas congregações religiosas também oficializaram seu repúdio em relação à reforma do governo. A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, que reúne mais de 400 franciscanos nos Estados de SP, RJ, ES, PR e SC, lançou uma nota também na manhã desta quarta (15), criticando a reforma. “Nosso posicionamento é baseado na realidade que nossos confrades encontram nos ambientes onde vivem e convivem e no compromisso com a Justiça, exigência irrenunciável do Evangelho”, afirma Frei Fidêncio Vanboemmel, superior geral da Província.

“Basta olharmos para a luta diária de nossos irmãos agricultores, especialmente nas áreas rurais em que estamos presentes nos estados do PR (especialmente a Região Sudoeste), SC (Alto Vale do Itajaí, Planalto Central e Oeste) e ES (especialmente a região de Colatina), ou para a dureza da vida dos operários nas periferias urbanas do Rio de Janeiro (Baixada Fluminense) e São Paulo para percebermos o grau de insanidade presente em exigir que estes trabalhadores braçais se desdobrem em quase 50 anos de trabalho para, depois, receberem migalhas que mal custeiam os remédios que se fazem necessários depois de uma vida de trabalho intenso e extenuante”, afirma a nota dos franciscanos.

A Companhia de Jesus, dos padres jesuítas, também se manifestou. Reunidos em São Leopoldo (RS), o Fórum de Gestão Apostólica, que reúne os superiores da ordem no Brasil, emitiu nota também no dia 15 de março, demonstrando preocupação “com os prejuízos que esta reforma, caso seja aprovada, trará aos direitos dos trabalhadores e aposentados e à população mais pobre de nosso país, inclusive limitando a filantropia realizada em inúmeros programas e obras sociais mantidos pelas dioceses, ordens e congregações religiosas”, diz o padre João Renato Eidt, provincial dos Jesuítas no país. Ao mesmo tempo, os jesuítas afirmam que “há esperança de que mobilizações como a de hoje (15 de março) ajudem a sensibilizar os nossos governantes e congressistas a rever seus posicionamentos e a pensar, acima de tudo, no bem dos brasileiros, seguindo a opção preferencial que Nosso Senhor Jesus Cristo teve e nos chama a ter pelos mais excluídos e marginalizados”.

Já a Conferencia dos Religiosos do Brasil (CRB), que reúne mais de 35 mil religiosos e religiosas de várias congregação pelo país, aproveitou o Dia Internacional de Mulher (8 de março), para se manifestar contra a reforma. Sua presidente, irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, distribuiu uma carta na qual expressou-se “com o coração entristecido por, mais uma vez, ver os interesses de poucos solaparem os direitos de muitos, especialmente das crianças e jovens mais pobres e vulneráveis. Literalmente querem nos tirar as migalhas.” A freira convocou à todos os religiosos e religiosas a se mobilizarem para barrar a reforma: “Ou nós nos mobilizamos e defendemos o direito das nossas instituições e dos pobres, ou mais uma vez pagaremos a conta dos desmandos palacianos”.

 

Bispos atacam a reforma

Alguns bispos também se posicionaram publicamente contra a reforma. No artigo “A guinada conservadora ameaça os pobres”, divulgado no site   da Pontifícia Universidade Católica de Minas gerais (PUC Minas), o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, resslaa que as reformas da Previdência e trabalhista “apontam, infelizmente, para sérios retrocessos em diversas conquistas que resultaram da mobilização de milhões de brasileiros desde tempos antigos como o da Constituinte. É inegável que são propostas que, a despeito das fartas justificativas e explicações de natureza econômica e financeira, significarão ainda mais riscos, perdas e sacrifícios para os pobres”, alerta Dom Joaquim.

Já Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre (RS), manifesta preocupação com a generalização da estipulada pela idade mínima proposta na PEC. “A idade mínima rompe com o princípio de igualdade entre contribuintes/beneficiários, uma vez que impede que muitos participem dos benefícios da previdência social, afetando duramente aqueles que começaram a trabalhar muito cedo e no pesado. Os riscos e desgastes a que estão submetidos, por exemplo, os trabalhadores rurais, tomam formas diferentes daqueles trabalhadores da construção civil, que, por vezes, são diversos daqueles empregados (diretores) que exercem sua função em um escritório, e assim por diante. O mesmo se pode dizer sobre as oportunidades e condições desses trabalhadores de, sem estabilidade, permanecerem trabalhando até os 65 anos de idade”, enfatiza Dom Jaime, em artigo publicado no site da Arquidiocese.

 

 

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