Especialistas apontam receita infalível para retomar economia e gerar empregos


Durante a década passada, época de crescimento econômico e bem-estar social, a política econômica empregada pelo governo se baseava em um tripé: emprego, renda e crédito. Esse tridente foi capaz de tirar uma parcela considerável de nossa população da miséria, que pôde acessar certos bens e serviços pela primeira vez.

Entretanto, agora estamos passando por uma crise econômica e política. A credibilidade internacional do país caiu, as empresas não tem confiança no governo para investir e o cidadão comum está controlando gastos e segurando planos por achar que a hora não é das melhores para tomar algum risco.

O presidente interino Michel Temer, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles e toda a sua turma já vem sinalizando há algum tempo de que maneira eles pretendem tirar o Brasil da lama: cortes e teto de gastos, arrocho salarial e flexibilização dos direitos trabalhistas.

Não vamos abrir mão da forma que as empresas estão reivindicando a troca dos direitos por emprego. O que vai garantir o emprego é a retomada da economia e para isso nós estamos dispostos de junto às empresas, centrais sindicais e ao Governo Federal buscarmos alternativas para aumento da produção e emprego. Não vamos pagar a conta da ineficiência do governo

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka

O tripé emprego, renda e crédito sem perda de direitos não é cogitado pelo governo interino.

Para muitos especialistas em política econômica, resgatar o estímulo ao consumo através desse trio é como conseguiremos recuperar a economia brasileira. Veja os porquês.

Política econômica voltada às famílias

Segundo o economista da Força Sindical Cid Cordeiro, a maior parte do PIB brasileiro, algo em torno de 60%, provém do orçamento das famílias. “Nossa economia é dependente do consumo das famílias. Precisamos de políticas públicas voltadas à ampliação do crédito, do incremento da renda e da geração de emprego. O último ciclo econômico da economia brasileira foi assim”, acredita Cordeiro. Para ele, essa receita é um potencial para internalizar o consumo.

Cordeiro indica quais são as três principais medidas que o governo precisa tomar para que a economia volte a crescer: redução dos juros, aumento do investimento e política industrial. “Precisamos ter incentivos para indústria. Manter o dólar em um patamar competitivo para exportações é uma medida. Assim, a indústria local consegue produzir como substituição de importação”, entende.

Também contrário ao posicionamento do governo interino Temer está o economista e supervisor técnico do DIEESE/PR Sandro Silva. “Congelar o orçamento público, limitando gastos apenas com a inflação, a PEC da terceirização 4330 e a reforma da previdência são políticas econômicas voltadas para uma minoria”, diz. “Essas medidas aumentam a desigualdade”, completa.

O economista defende políticas econômicas voltadas à maioria, e critica privilégios concedidos pelo governo às elites. “Há de se fazer uma reforma fiscal e tributária. Primeiro que, proporcionalmente, o pobre paga mais impostos que os ricos, segundo que os impostos são destinados para amortizar a dívida interna pública. É uma lógica financeira elitista”, esclarece.

Por fim, Silva crê que essa é a oportunidade para refletirmos o que queremos como país, afinal o interesse político entende a economia como acessório, resultando em medidas de curto prazo. “Precisamos abrir o debate: queremos ser um país agroexportador ou um país com uma indústria forte?”, se pergunta.

Fortalecimento do mercado interno

Ao estimular a geração de empregos, que culmina no aumento do consumo, consequentemente o mercado interno nacional volta a crescer. É uma cadeia que prospera: mais emprego, mais renda, mais consumo, mais produtividade para o meio interno.

Contudo, há outras medidas que podem ser tomadas para que o mercado interno se fortaleça. “O governo precisa criar barreiras contra importações de produtos e atuar no câmbio para baixar o real. Desse modo, conseguimos destacar nosso produto lá fora para exportação”, opina Eduardo Cosentino, economista e consultor empresarial.

Para aumentar a renda do trabalhador, Cosentino aponta as soluções. “Primeiro precisamos baixar os juros da taxa Selic para que o empresário tenha confiança para investir em máquinas e equipamentos. Com esses investimentos, mais empregos são gerados e aumenta a renda, além de que o mercado financeiro se torna menos atrativo”.

Além disso, Cosentino propõe a isenção de impostos para o trabalhador e não para as empresas. “É preferível isentar o abatimento do Imposto de Renda na fonte do que no IPI, por exemplo”. O economista entende que dessa maneira o consumo pode aumentar, pois não se abocanha a renda do trabalhador e não se privilegia apenas um setor da economia.

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1 Comments

  1. Pois é, uma pena que não temos pessoas conscientes assim no Governo.

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