Já pensou em trabalhar quatro vezes por semana?


Há quem diga que o sistema semanal de cinco dias de trabalho e dois de folga deva ser alterado. Dizem que um sistema com três dias de folga renderia mais, geraria mais produtividade e manteria funcionários mais interessados, cativados, animados e focados.

Um dia a menos de trabalho também seria um benefício para o meio ambiente. Menos poluição gerada pelos carros utilizados no trajeto casa-trabalho. Também teríamos menos causas de doenças vinculadas ao trabalho, decorrente de horas extras e sobrecargas.

Já imaginou se todos os finais de semana fossem como o os feriadões prolongados?

A experiência pública do estado de Utah

Muitas empresas e trabalhadores já vislumbram essa possibilidade. Um exemplo dessas vontades de mudança vem dos Estados Unidos, mais precisamente do estado de Utah. Há oito anos foi oferecida uma semana de trabalho de quatro dias para os funcionários públicos do estado.  Manteve-se o total de horas semanais: 40 horas.

Menos dias de trabalho reduzem a emissão de poluentes

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Dos 25.000 servidores públicos de Utah em 2008, 18.000 aderiram à proposta. Destes, quase dois terços disseram que a produtividade teria aumentado. Além da produtividade, outro benefício foi relatado: economia de gastos. Houve uma diminuição das horas extras concedidas e queda de gastos com faltas. Essa economia poupou US$ 4 milhões ao estado e foi capaz de reduzir em 400 mil toneladas as emissões de carbono no ano testado.

Dos 18.000 participantes que aderiram à ideia, 80% pediram para manter o novo horário. Eles citaram benefícios nas relações pessoais e familiares e no bem-estar pessoal. A iniciativa, contudo, acabou em 2011 devido a problemas políticos.

Exemplos na iniciativa privada

A startup de educação online Treehouse definiu também um sistema laboral de quatro dias por semana e tem crescido a níveis impressionantes: 120% ao ano. Ao contrário do funcionalismo público de Utah, são 32 horas semanais.

Gestores da empresa dizem que as pessoas trabalham mais sabendo que a semana acabará logo e que o objetivo delas é dar o máximo para alcançar as metas e voltar para casa com mais tranquilidade na quinta-feira à tarde. O CEO Ryan Carson já adianta: “Quém é preguiçoso não sobrevive na Treehouse”.

Outra empresa a inovar no sistema semanal de trabalho é a Basecamp, uma empresa que trabalha com plataformas de gestão de tarefas. Os colaboradores da firma trabalham 32 horas semanalmente durante os meses de maio e outubro.

Para o jornal norte-americano The New York Times, o CEO Jonathan Fried disse que em quatro dias se faz um trabalho melhor do que cinco. A lógica de Fried é simples: com menos horas para trabalhar, perdemos menos tempo, pois tendemos a concentrar-nos no que é importante.

O caso da Uniqlo

A marca esportiva japonesa Uniqlo entende que fugir do padrão da semana laboral é o caminho para atrair e manter os melhores talentos do mercado de trabalho. Desde 2015, funcionários de algumas de suas lojas trabalham quatro dias na semana, mantendo o horário semanal de 40 horas.

O objetivo dos japoneses é manter os funcionários por mais tempo na casa. Além disso, ajuda outro ponto positivo a ser alcançado: descontruir o imaginário de que as condições de trabalho em suas fábricas na China sejam precárias.

Tecnologia dita mudanças no sistema semanal

O avanço da tecnologia força alterações na jornada de trabalho regulamentada em lei

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Atualmente, graças à tecnologia, é possível trabalhar bem menos. A especialista em política social Anna Coote sugere quatro dias ou 32 horas semanais. Coote aposta em uma redução ainda mais drástica: 21 horas.

De fato, trabalhamos cada vez menos. Basta puxarmos um recorte do mundo do trabalho desde a Revolução Industrial:

  • Revolução Industrial, século XIX, Europa: 16 horas por dia, de segunda a segunda. Totalizando 112 horas semanais.
  • Primeira metade do século XX na Europa: padrão de 48 horas semanais, sendo 8 horas por dia de segunda a sábado. Já havia leis trabalhistas que exigiam pagamento de hora extra caso o empregador solicitasse mais tempo de trabalho. No Brasil, a legislação permitiu até 1988 o trabalho semanal de 48 horas.
  • Hoje no Brasil trabalhamos 44 horas por semana. A França, por sua vez, baixou para 35 horas em 2000.
  • Na virada do século, a ideia do governo francês era gerar mais empregos. No Brasil, as centrais sindicais tem um histórico de campanhas que pedem a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas sob o mesmo argumento de geração de emprego.

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