Por que os juros altos travam o Brasil?


O Brasil tem hoje a maior taxa de juros do mundo: 14,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém no mês de junho desse ano este valor pela 8ª vez seguida. É o ponto mais alto nos últimos 10 anos. O presidente interino afirma que o Banco Central tem total autonomia para definir os juros. Mas, sabemos que a tal autonomia está estritamente atrelada ao interesse dos bancos e do mercado financeiro.

Brasília (DF), Reunião do COPOM / BC

Brasília (DF), Reunião do COPOM / BC

A manutenção da taxa de juros nas nuvens é uma posição conversadora do Copom e mostra que o Brasil ainda continua enterrado na crise. A intervenção do Estado na economia, com pegada forte nas questões macroeconômicas, nunca foi tão necessária.

“O termômetro para medir alguma mudança seria o afrouxamento da taxa de juros, mas até agora nada. Ou seja, continuamos na mesma de antes do impeachment”, afirma o presidente do Sindicado dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e da Força Paraná Sérgio Butka.

Especialistas dizem que os juros são extremamente altos para uma economia tão fraca. O Brasil, segundo eles, é o único país do mundo que mantém juros a patamares altíssimos mesmo com um encolhimento drástico do PIB pelo segundo ano consecutivo.

A inflação de 9% continua muito alta, apesar da Selic (taxa básica de juros) também estar altíssima e da permanente recessão econômica. Então, o que justifica mantê-la no topo?

Ao contrário do que pensa o Copom, alinhado aos interesses do governo Temer, baixar a taxa de juros ajudaria a destravar o setor produtivo e consequentemente a geração de empregos e renda. Contudo, para o Palácio do Planalto, a saída da crise passa por propostas de flexibilização dos direitos trabalhistas, de ampliação da terceirização e aumento da idade mínima da aposentadoria. Como se isso fosse salvar a economia nacional…

  JUROS ALTOS TRAVAM A ECONOMIA

Hispanic businessman looking through binoculars

O Banco Central segura a inflação pela taxa de juro. Através dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas. Quanto maior o valor, menor é o voo do dragão, pois encarecendo o crédito, o governo incentiva as pessoas a poupar em vez de gastar. Dessa forma, elas deixam de ir às compras. Com menos gente comprando, a demanda por produtos diminui e os preços caem consequentemente. É, na realidade, uma reação em cadeia.

 Contudo, apesar da logica, manter juros altos gera um efeito colateral desastroso na economia. Com as pessoas consumindo menos, os investimentos acabam por diminuir também, derrubando o ritmo dos mercados. O resultado disso é um baixo crescimento econômico.

 desempregado_5Logo, conclui-se que não existe economia aquecida com juros altos. Eles simplesmente afastam as pessoas das lojas. Se ninguém compra, as empresas não conseguem se expandir, encolhem e podem ir à falência. Assim, o desemprego aumenta e a economia fica estagnada.

 Ademais, compras a crédito ficam mais caras com a alta do juro. Dados do Banco Central mostram que o juro do cartão de crédito chegou a 347,5% ao ano em abril de 2016, recorde em 20 anos. Isso também freia a aquisição de bens de maior valor, ao lado do aumento do desemprego e do congelamento salarial. Por fim, há também a inadimplência que sobe, o que prejudica ainda mais o comércio.

 

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