Saiba quais são os três setores estratégicos para resgatar a economia


Entre todos os desafios do governo Michel Temer, reaquecer a economia certamente é o primeiro. Para atingir esse objetivo, é praticamente unânime entre economistas que três setores, em especial, são estratégicos para recolocar o Brasil no caminho do crescimento e da produtividade. Indústria automotiva (montadoras), máquinas e construção civil. Estas áreas possuem cadeia produtiva longa e envolvem vários outros setores, empregando milhões de trabalhadores direta e indiretamente.

Injetar verba em infraestrutura como por exemplo, em estradas, portos e aeroportos movimenta a construção civil

Cid Cordeiro, economista da Força Sindical, vê nesses setores, tão combalidos pela crise, o caminho para resgatar a economia, por terem efeitos indiretos muito fortes ao utilizar muitos insumos. “A construção civil envolve cimento, plástico, vidro, indústria química. É muita gente empregada nesses setores atingidos”, exemplifica.

Marcos Verlaine, analista do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), acredita que um dos segmentos da construção a serem focados pela equipe de Temer deva ser o de infraestrutura. “Além do setor automotivo, que tem uma extensa cadeia produtiva e gera muitos empregos, os investimentos precisam ser direcionados em portos, aeroportos e rodovias”.

“A construção civil envolve cimento, plástico, vidro, indústria química. É muita gente empregada nesses setores atingidos”

Cid Cordeiro, economista da Força Sindical.

Sejam quais forem as medidas para reaquecer esses setores, elas têm caráter emergencial. No ano passado, a produção industrial teve queda de 8,3%. É a pior marca desde 2003. Os principais responsáveis pelo tombo são a indústria automotiva, com decréscimo de 25,9%, e a indústria de máquinas, que caiu 14,6%. Os dados são do IBGE/ PIM (Pesquisa Industrial Mensal) e levam em conta o peso de cada subsetor no dado geral.

Renovação da frota de veículos é uma medida para aquecer a indústria automotiva

Em recessão, estes setores tiveram que demitir. Em 2015, a indústria em geral demitiu 3,4 milhões de trabalhadores, enquanto contratou 2,8 milhões. Uma variação negativa de 7,45%. Do total de demitidos, 297,9 mil saíram da indústria metalúrgica e 281,9 mil da indústria mecânica. Neste mesmo ano, a construção civil demitiu 2,45 milhões de pessoas. Já em admissões foram 2,03 milhões. São, portanto, 418.789 postos de trabalho extintos. O levantamento é do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

MEDIDAS A SEREM ADOTADAS

Injetar verba em infraestrutura como por exemplo, em estradas, portos e aeroportos movimenta a construção civil

Reduzir a taxa de juros é a principal providência a ser adotada para tirar esses setores da recessão, pois rebate em todo processo seletivo. É o que defende Verlaine, do Diap. “Com a taxa Selic tão elevada, o dono de um negócio não vai reinvestir, ele será atraído pela especulação”, explica.

Fabiano Camargo, técnico do Dieese/PR, aponta a renovação da frota de caminhões como uma importante medida de estímulo ao investimento, seja público ou privado, para aquecer o setor automobilístico. A tese é defendida também por Cordeiro. “Esse programa já foi discutido, só falta implementar. O impacto positivo já foi demonstrado em diversos países, como Alemanha e Japão”, completa.

“Com a taxa Selic tão elevada, o dono de um negócio não vai reinvestir, ele será atraído pela especulação”

Marcos Verlaine, analista do Diap.

Na construção civil, Cid Cordeiro avalia a ampliação e injeção de mais recursos no programa “Minha Casa Minha Vida” como uma das maneiras para descongelar a área. “Há de se ofertar créditos às famílias”, acredita. Para ele, a oferta do crédito tem que ser imediata. “A saída para a indústria de máquinas, por exemplo, é facilitar o acesso e renovação do crédito com taxas de juros mais baixas para, assim como no setor automotivo, renovar os equipamentos”, afirma.

 

Recomendamos para você


1 Comments

  1. Excelente conteúdo! O nosso mercado é retardado economicamente devido a grande intervenção do Estado, impostos e burocracia em excesso encarece os insumos e dificulta as relações entre consumidor e vendedor. Espero que os próximos governantes a assumirem as lideranças nacionais tenham uma visão mais liberal a respeito da economia. postem mais atualizações!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.


*