Seria possível a Lava Jato combater a corrupção sem parar a economia brasileira?


O juiz Sérgio Moro e os jovens promotores do Paraná já foram capazes de mandar muita gente de alto calibre para a cadeia. Desde políticos com muita influência em Brasília a empresários líderes de grandes corporações com atuação internacional. São, afinal, corruptos que merecem e estão sendo punidos. Porém, por melhores que sejam as intenções e os resultados jurídicos das investigações da Lava Jato, elas estão ajudando a mandar nossa economia para o buraco. É o que apontam consultorias econômicas especializadas no assunto: a Lava Jato tem sido um fator potencializador da política econômica equivocada do governo Dilma, deixando nossa economia em frangalhos e agravando os problemas já existentes.

Aproximadamente 5% do PIB do Brasil vêm de empresas investigadas pela Lava Jato

A Tendências Consultoria estima que dois pontos percentuais da queda de 3,8% do PIB do ano passado se devam à Lava Jato. Isso representa mais da metade! Essa consultoria ainda relaciona à operação 1,2 ponto do encolhimento do PIB esperado de 4% da economia de 2016.

A Lava Jato tem esse potencial devastador na economia, pois paralisou empresas (Petrobras, Odebrecht, Camargo Correa, OAS) que representam fatias importantes nos investimentos totais no país. Elas tiveram que rever planos de investimentos, mudar estrutura organizacional e contratos com fornecedores e parceiros. A Petrobras, por exemplo, teve que reduzir em mais de 30% o volume de investimentos previstos do ano passado até 2019.

Para termos ideia da importância dessas empresas para a economia brasileira, basta saber que 2% do PIB nacional corresponde aos investimentos da Petrobras, de acordo com cálculos da Tendências Consultoria. Já as obras de infraestrutura das grandes construtoras envolvidas representam 2,8% do PIB.

Portanto, perto de 5% do PIB vêm dos investimentos das empresas investigadas pela Lava Jato.

marcos_verlaniine_300“Há maneiras de investigar corrupção sem agredir a economia. Nos EUA, por exemplo, as empresas são investigadas, mas não ficam impossibilitadas de fechar contratos ou participar de licitações. A Lava Jato deveria adotar acordos de leniência”

Marcos Verlaine, analista do Diap

Danos econômicos devem seguir até 2019

A GO Associados calculou a influência da Lava Jato no PIB futuramente. Ela avalia que as investigações serão capazes de subtrair 3,6 pontos percentuais do crescimento do PIB de 2015 a 2019. Pelo menos metade desse percentual deve ocorrer entre 2015 e 2016. Além disso, mais de 2 milhões de empregos seriam sacrificados em até dois anos em virtude das investigações.

Um estudo da FGV aponta que R$ 87 bilhões podem ter sido tirados da economia devido à diminuição das atividades da Petrobras em 2015. O estudo avaliou ainda a perda de mais de 1 milhão de vagas de emprego e a queda de R$ 5,7 bilhões na arrecadação de impostos por União, Estados e municípios, nesse mesmo ano.

Impacto da Lava Jato na economia foi negligenciado e o custo para o trabalhador foi altíssimo: 1,54 milhão de vagas formais fecharam em 2015

Para especialistas, estes números provam que o impacto da Lava Jato na economia foi negligenciado e que um custo altíssimo para os trabalhadores foi ignorado: 1,54 milhão de vagas formais fecharam em 2015; 118.766 mil vagas de trabalho fecharam no país mês passado, o pior número para março desde 1992, sendo 24.184 na construção civil. Os números são da base de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Só a Petrobras, segundo relatórios de administração da estatal, já demitiu 170 mil trabalhadores desde o início da Lava Jato até o fim de março de 2016.

R$ 87 bilhões podem ter sido tirados da economia devido à diminuição das atividades da Petrobras em 2015, segundo FGV

“O tratamento para o câncer não pode destruir o corpo. Precisamos construir meios de se combater o câncer sem matar o doente”, analisa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka.

Seria possível tratar o câncer da corrupção sem matar o doente?

O problema não é a Lava Jato, que investiga a corrupção e pune corruptos. O problema está na sua condução. Assim pensa o sociólogo Paulo Delgado. Ele afirma que, além de influenciar a economia, a Lava Jato causa problemas para o estado brasileiro, que já vinha tendo dificuldades fiscais. “Quando as empresas envolvidas deixam de investir, elas geram desemprego e o estado arrecada menos impostos. Ao desempregar o trabalhador, a demanda por serviços públicos aumenta, como o seguro-desemprego”, explica.

“O tratamento para o câncer não pode destruir o corpo. Precisamos construir meios de se combater o câncer sem matar o doente”

Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

A maneira com que a Lava Jato vem sendo conduzida pune severamente as empresas. Quando se pune a empresa, pune-se também o trabalhador. O foco está no CNPJ, não no CPF de quem cometeu atos de corrupção. Marcos Verlaine, analista do Diap, acredita que há maneiras de investigar corrupção sem agredir a economia. “Nos EUA, por exemplo, as empresas são investigadas, mas não ficam impossibilitadas de fechar contratos ou participar de licitações. A Lava Jato deveria adotar acordos de leniência”.

Acordos de leniência preveem que empresas acusadas assumam a culpa, paguem multa e afastem as pessoas envolvidas em corrupção. As empresas também se comprometem a adotar medidas que coíbam o crime futuramente. Como contrapartida, elas podem fechar contratos com o setor público. Esse tipo de acordo é defendido pela Advocacia Geral da União (AGU), que acredita que “preservar a atividade econômica não é incompatível com combater a corrupção”.

Acordo de leniência é defendido pela Advocacia Geral da União (AGU):  “preservar a atividade econômica não é incompatível com combater a corrupção”

Verlaine crê que os jovens promotores da operação não estão considerando os problemas econômicos gerados por essa conduta focada nas empresas e não nas pessoas. “Há um moralismo exacerbado, eles estão punindo demais as empresas. São empresas que disputam o mercado internacional e que geram muitos empregos. Paralisadas desse jeito, elas terão que demitir mais do que a crise já demitiu”.

João Guilherme Vargas Netto, sociólogo, segue a mesma linha de pensamento de Verlaine: “O que a Lava Jato faz é um moralismo justiceiro, no qual a justiça deve ser feita mesmo que o mundo acabe, sem medir as consequências”, afirma.

Cid Cordeiro, economista da Força Paraná, culpa a Lava Jato pelo congelamento dos investimentos no setor de obras públicas, área mais comprometida. Para ele, as investigações interferem a gestão das empresas, que não conseguem mais gerar empregos e renda durante esse processo. Além da construção, setores como a metalurgia, na fabricação de aço, e química, na fabricação de vidros, são as que mais perdem com a Lava Jato, pois são fortemente dependentes.

Setores como a metalurgia, na fabricação de aço, e química, na fabricação de vidros, também perdem com a Lava Jato, pois dependem dos setores mais atingidos

Em entrevista de março desse ano, o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, afirma que a Lava Jato não está sabendo diferenciar dirigentes corruptores e corruptos de instituições e de empresas. “Os corruptos, se cometeram crimes, devem ser penalizados, mas jamais as suas empresas, pois elas são um ativo brasileiro”. Pochmann ainda se pergunta quem reconstruirá o país da crise se as empresas brasileiras forem quebradas agora.

Credibilidade afetada

Por investigar a fundo relações nefastas entre pessoas do estado e da iniciativa privada, a Lava Jato é capaz de influenciar negativamente as expectativas econômicas do país, que determinam escolhas futuras de investidores. Afinal, cada novo passo ou fase da operação tem cobertura exaustiva por parte da mídia. Ninguém investiria em um país com a credibilidade institucional tão arranhada.

Não apenas a imagem do estado fica arranhada. Não apenas as empresas envolvidas diretamente no escândalo, sobretudo a Petrobras, ficam com a imagem arranhada. Segundo economistas, muito possivelmente, independentemente do setor, qualquer empresa que se dedique a participar de licitações públicas também terá, mesmo que minimamente, problemas de imagem e confiança.

Muito possivelmente, independentemente do setor, qualquer empresa que se dedique a participar de licitações públicas poderá ter problemas de imagem e confiança

Problemas relacionados à imagem levam anos para serem superados. Ainda mais se tratando de um governo e da principal empresa do país. O estado não pode pagar pela corrupção de alguns do governo. A condução da Lava Jato destrói o potencial econômico do Brasil internamente e, sobretudo, no exterior.

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2 Comments

  1. Me sinto envergonhada, por tudo isso, Roubalheira, todos com falta de caracter indiferente de partido.A investigação deve continuar, se as empresa estao envolvida deve ser punidos. Vejo que é uma queda de braço violento vaidade, falta de vergonha na cara . Bando de safados que precisa ser preso devolver o dinheiro dos cofres Públicos. Como pode alguem atolado ate o pescoço. Presidir sessão de impitiman de um Presidente que nao esta sendo investigado. Vejo demos em enquadrar esses bandidos rapido para quw o Brasil se alinhe .

  2. Parabéns pela postagem. Sem aquela babaquice coxinha de idolatria à lava-jato, ódio ao Lula etc mas ao mesmo tempo sem lulismo também rsrs.

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