Você é trabalhador? Saiba como em 2016 o governo quer que você pague ainda mais impostos

Aumento sorrateiro de impostos acontece desde 1996 e esse ano governo dá indícios de que vai bater o recorde das últimas duas décadas


O governo dá indícios que vai aumentar, mais uma vez, os impostos de forma sorrateira. Só que em 2016, o aumento no Imposto de Renda (IR) está a caminho de bater o recorde. O rombo no bolso que os trabalhadores têm todo ano pode ser muito maior em 2016, porque o governo indica que não vai cobrir em nada a inflação do período na cobrança do IR.

A projeção da inflação para esse ano é de 7,23%. Isso significa que milhões de trabalhadores que não pagavam IR passarão a pagar e que outros milhões passarão a ter impostos maiores.

O coordenador técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Sandro Silva, aponta que, de forma geral, a grande maioria dos trabalhadores sai prejudicada com a defasagem. “Nesses momentos de crise o trabalhador tem perda aquisitiva com desemprego e inflação aumentando. Com a defasagem na tabela do IR, ele perde ainda mais”, afirma o economista.

“Os trabalhadores vão sentir o impacto quando tiverem seu reajuste salarial. Na prática não vão receber integralmente o que obtiverem de aumento, pois isso será destinado ao pagamento do imposto de renda”.

Sandro Silva, economista do DIEESE

O trambique federal

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka, afirma que “o governo mantém a política de não negociar com os trabalhadores e enfiar goela abaixo a inflação que ele mesmo gerou aumentando as tarifas públicas”.

Funciona assim: a Tabela do IR determina por faixas salariais quem paga e quem não paga IR, e quanto cada faixa salarial deve pagar. Quando a inflação aumenta, o salário de cada trabalhador passa a valer menos. Por isso as centrais reivindicam há anos que a tabela seja corrigida, no mínimo, pelo mesmo valor da inflação.

Não é o que o governo tem feito.

Em 2006, houve um acordo pontual entre trabalhadores e governo, para que a tabela fosse reajustada em 4,5%. Na época, a inflação era de 3,14%. Só que na base de malandragem digna de botequim, o governo vem reajustando a tabela no mesmo valor desde então, mesmo com a inflação a 9% ou 10%.

Com isso, a defasagem na tabela que já vinha desde 1995, aumentou ainda mais e atingiu o valor de 72,18% em 2015, como revela o estudo publicado pelo Sindifisco Nacional, sindicato que representa os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil.

 Veja a defasagem na Tabela do IR ano a ano:

Quem está pagando impostos injustamente?

Segundo os estudos dos Auditores da Receita Federal, trabalhadores com renda de até R$ 3.250,29 não deveriam pagar imposto de renda, tomando como base a tabela do IR com correções das defasagens de 1996 a 2015.

Pela tabela de 2015, trabalhadores com renda a partir de R$ 1.903,99 já pagam 6,5% de IR, ou seja, R$ 1.713,60 por ano. Os trabalhadores com faixas salariais superiores também são prejudicados, pois têm aumento na alíquota do seu IR.

Veja a diferença entre a tabela corrigida e a atual (2015):

 Exemplo de trabalhador prejudicado 

 

Caminhos a seguir para os trabalhadores

O assessor da Força Sindical, João Vargas Neto, explica que o aumento de impostos por meio da defasagem da tabela do IR é uma questão tão importante quanto a do salário mínimo, mas não teve uma negociação abrangente semelhante.“Os trabalhadores precisam agir. Embora a tabela esteja defasada em mais de 72%, o que precisamos para esse ano é garantir, pelo menos, o reajuste que já vinha acontecendo com base nas metas da inflação do Banco Central, no valor de 4,5% a 6,5%”, destaca o assessor.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, avalia que essa é uma negociação que exigirá uma grande união dos trabalhadores e não pode ser resolvida de imediato.“O momento para os trabalhadores é de resistência. Temos que nos manter atentos para não perder aquilo que já conquistamos e, com articulação e mobilização, enfrentar pautas como a da Tabela do IR, que prejudica os trabalhadores há pelo menos 20 anos”, afirma o presidente.

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2 Comments

  1. Herizonte Freire de Araùjo 4 de maio de 2016 às 20:55

    O MINISTÉRIO PÚBLICO E DEMAIS AUTORIDADES JUDICIÁRIAS ASSIM COMO, ORGÃOS REGULADORES NÃO TOMAM PROVIDÊNCIAS , O POVO ENQUANTO ISSO , SUSTENTA ESSES FUNCIONÁRIOS E SUAS MORDOMIAS , ROUBOS E FALCATRUAS, E QUANDO APARECEM NA MÍDIA DIZEM ESTAR ZELANDO PELA SOCIEDADE E PELO POVO , MENTIROSOS E FALSOS AGENTES PÚBLICOS !!!

  2. Não tem outra alternativa senão pagar não é mesmo? Mas não acho justo .Quanto mais recebe mais se paga? Preferiria que me isentasse de todos os deveres para que tivesse condições de por conta propria pagar um plano de saude , escola e escolher em qual condominio morar, que fosse condizente com a minha situação. O Brasil é o Pais que mais se cobra do trabalhador e ao mesmo tempo menos podemos desfrutar da qualidade que esse imenso tributo poderia nos proporcionar.Pior ainda quando se aposenta. O aposentado precisa pensar qual bico fazer para interar o valor para se ter as mesmas condições de quando estava ativo.Que também como disse anteriormente com o pesado tributo.

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