Se você é trabalhador assalariado, veja como a conta do impeachment vai sobrar pra você


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Muito se ouve nos últimos dias e meses sobre o badalado “impeachment”. Desde que Dilma foi eleita, em 2014, é só o que se fala, não é mesmo? Especialmente nos últimos dias, o assunto ganhou tal forca que parou o Brasil. Quem tem dinheiro não investe. A economia parou, ninguém compra nada. Sem vendas, o comércio demite. A indústria demite. Como ninguém está contratando, desempregados não conseguem se recolocar no mercado.
Não precisa ser especialista para notar que o quadro está cada vez pior.

E depois que isso passar? Você já parou para pensar como o Brasil vai ficar? Será que vai melhorar? Para quem? Para todos?
Conversamos com alguns especialistas em busca de respostas a essas perguntas. Descobrimos que o que já está ruim vai ficar ainda pior. E o pior de tudo: quem vai pagar a conta por essa crise é o trabalhador. Isso mesmo. Você, assalariado, com carteira assinada, é que vai pagar o pato. Seja com Dilma destituída ou com Dilma mantida no cargo, as consequências serão pagas pelo povo assalariado.
Vejamos os dois quadros possíveis.

Se Dilma cair

Se Dilma for destituída, quem assume, ao que tudo indica, será o vice, Michel Temer. Seu plano de governo já foi apresentado. Terá “remédios amargos”. Quem leu o documento “Pontes para o futuro”, que apresenta plano de governo do PMDB, já notou que para o trabalhador, essa é, na verdade, a “Ponte para o inferno”. Os motivos são muitos:

O Plano de Temer

Documento do PMDB inclui medidas de austeridade e ampliação do poder do Congresso sobre o Orçamento:

  1. Fim da CLT 

Temer defende um modelo que permite que sindicatos pelegos comandados por patrões possam negociar direitos abaixo do que determina a Lei. Nesse modelo a legislação trabalhista deixar de ser aplicada ou é flexibilizada, o que favorece o patrão e deixa o trabalhador vulnerável.

  1. Fim da política de valorização do salário mínimo

Temer vai acabar com a fórmula de reajuste do mínimo que garantiu aumento  real de 76,5% nos últimos dez anos. No lugar, o reajuste ou não do mínimo seria feito de acordo com os interesses do governo ou o do Congresso.

  1. Reduzir os investimentos em saúde e educação

Só para dar uma ideia, o documento de Temer afirma que “o país gasta muito com políticas públicas…”

  1. Precarizar a legislação ambiental para favorecer fazendeiros e latifundiários

Na contramão do mundo, o documento quer desmontar uma das legislações ambientais mais modernas e avançadas do planeta, apenas para atender os interesses dos grandes latifundiários

  1. vender o patrimônio público ao capital privado e internacional

Medida que só interessa ao capital privado internacional, que mais uma vez tenta se aproveitar do momento delicado do Brasil para esticar suas garras sobre as empresas nacionais e suas receitas.

  1. reformar a previdência para Aumentar a idade mínima para aposentadoria

Medida que prejudica quem começa a trabalhar mais cedo. Mais uma vez estão jogando a culpa da má-gestão da previdência nas costas dos trabalhadores.

  1. redução do reajuste dos benefícios das   aposentadorias 

Hoje, o reajuste dos aposentados segue o do salário mínimo. Michel Temer propõe acabar com isso, o que significa que os reajustes para os aposentados podem ser menores que os do salário mínimo.

  1. Reduzir gastos com a seguridade social para aumentar os lucros dos banqueiros 

Hoje, a Constituição determina um piso mínimo obrigatório para o governo investir nas áreas sociais como a previdência, moradia ou saúde.  Michel Temer quer acabar com isso, para que o governo use o dinheiro do orçamento como bem entender. Se quiser usar todo o dinheiro público para dar os bancos e acabar com Fies e saúde pública, poderia fazer isso, numa boa, mesmo que prejudique  população.

  1. promover um Mega arrocho fiscal para pagar os juros da dívida aos banqueiros

O documento do PMDB afirma que o país deve “buscar um superávit primário” que é fazer economia para pagar os juros da dívida pública aos banqueiros e ao sistema financeiro. Não precisa ser gênio para adivinhar em cima de quem o governo vai querer economizar, né?  Mais um mega arrocho em cima da população  com aumento de impostos e cortes de direitos e salários.

Se Dilma for mantida

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Mesmo que a presidente Dilma se livre do processo do impeachment, e para isso precisa do apoio de um terço da Câmara ou do Senado, o Governo sairá enfraquecido desse confronto e será muito difícil turbinar a economia e nem terá força política o suficiente para impedir mudanças na legislação trabalhista e previdenciária.
O Governo será refém de acordos com os poderes políticos e econômicos em troca da promessa de investimentos e apoio.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

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Para o Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Marcos Verlaine, independente do que acontecer com a política no país, o trabalhador assalariado vai ser o maior prejudicado e ele explica o porquê.

“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Não há frase melhor para descrever o cenário político e econômico atual do país. E é isso o que afirma Marcos Verlaine. Afinal, essa sinuca de bico em que se encontra o brasileiro não apresenta uma saída decente para os trabalhadores, afinal com ou sem o impeachment da presidente Dilma, quem vai pagar o preço vai ser o trabalhador.

A situação não está fácil, com essa polaridade política arraigada a economia fica instável e o trabalhador paga o pato. Não entendeu? A gente explica. O Brasil hoje está dividido entre os que apoiam o impeachment, os que não apoiam e os que não tem opinião formada. Não só a população está dividida, mas os políticos também, o que deixa o Governo desestruturado e inseguro. Com a falta de confiança no Governo, os empresários deixam de investir, a demanda diminui, as fábricas param e os trabalhadores ficam desempregados. “Economia não é ciência, é política”.

“O Brasil sofre a consequência de uma violenta crise econômica internacional, o que estourou há alguns anos em outros países, e estourou agora no Brasil”. Afirma Marcos Verlaine, que compara as duas possibilidades de governo:

“O mercado hoje não acredita na Dilma e o Governo não tem mais dinheiro para bancar o Brasil, ele precisa de apoio, precisa de alguém que acredite nele. Se a Dilma se manter no poder o Governo e a economia estarão enfraquecidos, prolongando a crise econômica”.
“Porém, devemos temer essa avalanche neoliberal que vem aí com o Plano Temer, que vai acabar com as duras conquistas dos trabalhadores”. Finaliza Verlaine.

O que nós trabalhadores devemos fazer?

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Nos unirmos. “O que o país vive agora é uma crise, e isso todos sabem. O que a maioria não sabe é quando ela vai acabar, e isso eu digo, que a situação só vai melhorar daqui a dois anos”. Afirma Marcos Verlaine.

“Uma nova eleição é o caminho, porque os políticos que estão envolvidos com todos esses escândalos não servem para guiar a nação de volta aos eixos”. Nesse contexto, é fundamental a união dos trabalhadores e o fortalecimento dos movimentos sindicais na luta pela preservação dos direitos e conquistas.
A nossa luta é o que vai determinar se haverá ou não perda para os trabalhadores, e se houver, está nas nossas mãos o tamanho dessa perda.

E é por isso, que para ter sucesso, devemos nos unir e nos mobilizar. O movimento sindical em defesa do trabalhador estará em teste nos próximos meses. Temos que estar preparados.

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1 Comments

  1. Interessante rever esta matéria de 08 de abril de 2016 e ,6 meses depois , ver que praticamente todas as previsões , caso Temer assumisse , estão se confirmando. Algumas até abaixo da realidade .
    O inferno nos espera de braços abertos

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