Trabalhadores encontram no cinema ferramenta de formação social e política

Livro lançado pelo Centro de Memória Sindical e Força Sindical reúne resenhas de 149 filmes que retratam o mundo do trabalho e relações sociais com os trabalhadores


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O cinema tornou-se uma das principais ferramentas de entretenimento dos nossos tempos. Chamado também de Sétima Arte, traz consigo a capacidade
de transmitir um amplo número de informações, com grande intensidade e capacidade de emocionar. No meio de explosões, romances e mundos
fantásticos, o cinema também acaba retratando, direta ou indiretamente, as relações entre capital e trabalho, as correlações de poder que governam
o mundo e as questões sociais que influenciam diretamente a vida dos trabalhadores. Por esse motivo, o cinema, para além da diversão e da contemplação artística, transforma-se em uma ferramenta de formação social e política, que dá a capacidade aos trabalhadores de refletirem sobre si
mesmos, seu trabalho e o mundo que os rodeia, alcançando novas visões, mais críticas e bem fundamentadas.

Com essa visão, e com o objetivo de trazer cultura para o meio trabalhista, a jornalista, pesquisadora e coordenadora do Centro de Memória Sindical, Carolina Maria Ruy, organizou o livro “O Mundo do Trabalho no Cinema”. Ele reúne 149 resenhas de filmes que permitem refletir sobre as relações que envolvem o mundo do trabalho. O livro é resultado de cerca de sete anos de trabalho no Centro de Memória Sindical de São Paulo e da coluna semanal publicada no site da Força Sindical. Os filmes foram selecionados abertamente, de todos os tipos, lugares e épocas, sem restringir-se a produções “cults” ou hollywoodianas.

O cinema pode ser uma ferramenta de formação sindical, histórica e política?
Sim. Com certeza. Tem que ser usado. Quando você usa o cinema para a formação, as ideias ficam muito mais claras.

Como isso acontece?
O cinema mostra exemplos, mexe com os afetos, de modo que fica mais fácil guardar e lembrar das situações. As emoções trazem relações com as próprias experiências que são importantes para a memória.

Qual é a importância desses filmes para o sindicalismo brasileiro?
A importância está em propiciar uma reflexão sobre a própria vida do trabalhador, a sua situação no mundo e o contexto social onde ele vive. A importância do cinema de modo geral é essa: proporcionar uma visão mais rica de si mesmo, do ser humano dentro da sociedade.

O mundo do trabalho tem sido adequadamente representado no cinema?
A gente tem que fazer uma reflexão crítica para perceber o mundo do trabalho no cinema. Não é uma coisa que salta aos olhos.

O trabalhador normalmente é colocado em qual papel nos filmes?
Geralmente não há a intenção de demonstrar o trabalhador como um papel central do enredo. A gente acaba percebendo ele porque faz parte das
relações e isso acaba aparecendo.

Por que isso acontece?
As produções de cinema e TV, assim como as teorias da academia, costumam centrar-se no indivíduo e não no trabalhador como uma classe. O
mais comum são questões individuais, como se a pessoa estivesse sozinha no mundo.

Essa forma de retratar o trabalhador se modifica com o avançar das décadas?
Filmes mais antigos falam mais da questão do trabalho. Tem o Encouraçado Potemkin, Tempos Modernos, Ladrões de Bicicleta… Filmes das décadas de 1920, 1930, que tratam mesmo da questão sindical. Depois veio muito essa coisa de Hollywood, da indústria cultural muito capitalizada e a questão sindical e trabalhista foi se diluindo.

 

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