Metalúrgico e ativista social, Elton mantém projeto social na comunidade


A paixão por skate de Elton Lee, trabalhador da Volkswagen, transformou-se em ativismo social no bairro

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Vendo os problemas e riscos que as crianças do bairro sãojoseense Borda do Campo enfrentam, o trabalhador da Volkswagen Elton Lee, que sempre gostou de andar de skate, decidiu colocar a mão na massa e fazer algo concreto para ajudar. Assim nascia a história do metalúrgico que hoje é uma referência positiva na comunidade onde vive.

Amante do skate, Elton passou a investir parte de seu tempo e sua energia em um projeto com o esporte, que pudesse afastar as crianças das drogas e do crime. Construiu uma pista de skate móvel e passou a levá-la para vários lugares da vila. A criançada gostou. A moda pegou. A sementinha brotou, a coisa foi crescendo, ganhando corpo… Até que, assim, nascia a Associação Olhos do Pai Skateboard, funcionando duas vezes por semana dentro da Associação de Moradores do bairro, que estava abandonada.

“Estava” abandonada. Não está mais. Com o trabalho chamando atenção, veio o reconhecimento. A comunidade elegeu Elton Lee como presidente da Associação de Moradores da Borda do Campo, para poder expandir os projetos. Dito e feito. “Agora não é só skate: tem de tudo. Oficinas de break, hip hop, jazz, MMA, jiu-jitsu… Nosso objetivo agora é deixar a Associação funcionando 100% do tempo. Vamos até reformar o barracão que há 30 anos está abandonado”, relata, animado, o metalúrgico. Mais de 150 crianças já passaram pelo projeto. Diariamente, aproximadamente 30 participam.

Mudança de vida

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A mudança de realidade na vida das crianças acontece quando elas começam a adquirir novas referências. A cultura muda. As suas ideias mudam. “Qual é a referência de quem mora numa vila? É só crime”, conta Elton Lee. “Depois de um tempo no projeto, você vê muita diferença nelas”.

Mais recentemente, o metalúrgico da Volks e atual presidente da Associação de Moradores abriu uma pequena loja de skate. O estabelecimento se tornou ponto de referência para todas as atividades do bairro. A rotina é corrida: da manhã, Elton fica na loja; às 14h26 entra na fábrica e somente sai às 22h49. Dar conta de tudo, incluindo esposa e dois filhos, é um desafio constante. “Somos uma equipe. Um ajuda o outro. Eu ajudo minha esposa e ela me ajuda. Na Associação somos 11 pessoas, se eu estivesse sozinho não teria como realizarmos tudo que fazemos”.

 

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