Documento revela histórico negro da Bosch em Curitiba


Assédio moral comum na empresa há duas décadas foi registrado oficialmente pelas mãos do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, por meio de um Dossiê. Denúncias foram feitas ao MPT, Indus­triall e Comitê Internacional da Bosch

Nos mês de abril, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), finalizou o “Dossiê Bosch Curitiba – Uma história de desrespeito aos direi­tos humanos e à liberdade de organização sindical”. O do­cumento traz um resgate histórico e documental do assé­dio moral, das perseguições e ameaças, de advertências e demissões ilegais, além de outros mecanismos contrários à dignidade humana e ao Estado de Direito, para atacar as organizações sindicais e acabar com as lutas dos trabalha­dores por melhores salários e condições de trabalho.

Após mais de duas décadas desse tipo de práticas, o estopim que levou à elaboração do documento foi a de­missão ilegal do trabalhador e diretor sindical Cristiano Pereira. O trabalhador foi demitido após reivindicar me­lhores condições de trabalho. Segundo denúncias, os tra­balhadores estão com sobrecarga de trabalho tendo que operar sozinhos de três a quatro máquinas. Além disso, outros dirigentes sindicais e até cipeiros estariam rece­bendo advertências e ameaças de demissão. Desde então, Cristiano Pereira e diversos outros trabalhadores se uni­ram a ele e permaneceram acampados em frente à sede da empresa, em Curitiba. O caso se assemelha ao do cipeiro Custódio da Silva, demitido ilegalmente em 1991 e que foi reintegrado à empresa com ordem judicial, após greve de fome realizada durante quatro dias na frente da empresa.

O primeiro registro que o documento traz data de 1989, quando a Bosch, ao invés de dialogar com seus trabalha­dores, chamou a polícia, após reivindicações feitas acerca da reposição salarial, época em que a inflação alcançava os 1000% ao mês. Os registros trazidos pelo documento denunciam o tratamento que a Bosch dá aos trabalhado­res em diversas áreas. Os protestos, sempre combatidos com polícia, assédio moral ou demissões ilegais, dizem respeito a horas excessivas de trabalho, discriminação de traba­lhadores, suspensões indevidas, intimidação em campanha salarial, jornadas excessivas de trabalho que chegaram a 12 horas diárias, falta de condições de segurança, medidas contra a saúde dos trabalhadores, terrorismo, interferência nas assem­bleias do sindicato e flexibilização das condições de trabalho.

O primeiro registro que o documento traz data de 1989, quan­do a Bosch, ao invés de dialogar com seus traba­lhadores, chamou a polícia.

Prática sindical e greve são direitos garantidos por lei

O artigo 8º da Constituição Federal afirma que “é livre a asso­ciação profissional ou sindical”. E o Artigo 9º destaca que “É assegura­do o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.

As práticas da Bosch já foram denunciadas para:

  • Ministério Público do Paraná • Ministério Público do Trabalho • UAW, sindicato metalúrgico dos EUA com atuação internacional • Comitê Internacional da Alemanha • Lopes Industriall

Para ler o dossiê completo acesse: www.simec.com.br/artigo/DossieBosch%20baixa.pdf

 

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