Criar um ambiente de trabalho cada vez mais seguro e saudável


Uma das principais bandeiras de luta do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba – SMC é o combate aos acidentes de trabalho e às doenças ocupacionais. Para falar sobre esse assunto, a equipe da MetalRevista entrevistou o engenheiro de segurança e saúde do trabalho, e também assessor do Sindicato nessa área, Dr. Mario Freitas. Confira a entrevista.

MetalRevista – Hoje uma das principais preocupações dos trabalhadores metalúrgicos é a falta de segurança no ambiente de trabalho. Quais são as principais causas de acidentes de trabalho?

Mario Freitas – Uma das principais causas dos acidentes de trabalho é o processo do trabalho, emitido geralmente pelos engenheiros, que não pensam no chão de fábrica e nem na segurança dos trabalhadores, que ficam a mercê deste processo. Além disso, outro fator que facilita a ocorrência de acidentes de trabalho é a jornada excessiva de trabalho, muitas vezes intensificada pelas horas extras. O ritmo de trabalho no chão de fábrica já é muito corrido, sem um tempo de pausa necessário, os trabalhadores podem começar a trabalhar cansados e isso diminui seus reflexos, aumentando o risco de acidentes.

MetalRevista – O que o trabalhador pode fazer para evitar acidentes na empresa?

Mario Freitas – Os trabalhadores podem e devem denunciar as más condições ao Sindicato, para exigir fiscalização, levantar os problemas para a Cipa e denunciar na DRT. Se o ritmo de trabalho estiver muito intenso o trabalhador também deve denunciar ao Sindicato.

MetalRevista – Qual o papel da empresa em assegurar ao trabalhador segurança no trabalho?

Mario Freitas – O Código Penal e o Código Civil prevêem que a empresa deve garantir aos trabalhadores condições ideais de trabalho, ou seja, um ambiente sem risco de acidente de trabalho, ou doenças ocupacionais. É papel dos trabalhadores fiscalizar como estão essas condições no dia a dia da empresa.

MetalRevista – Além do risco com acidentes, os funcionários sofrem com as chamadas doenças ocupacionais. Quais são as doenças ocupacionais mais reincidentes nos trabalhadores metalúrgicos?

Mario Freitas – Uma das doenças mais reincidentes nos trabalhadores metalúrgicos é a lesão por esforço repetitivo (LER ou Dort). A depressão por assédio moral também vem vitimando cada vez mais trabalhadores da categoria metalúrgica.

MetalRevista – Quais são os principais fatores que causam as doenças ocupacionais?

Mario Freitas – Muitas das doenças ocupacionais são provocadas por jornadas desumanas, com excesso de trabalho e horas extras. As condições precárias no ambiente de trabalho, ou seja, o layout inadequado, como a altura das mesas, ou a altura dos equipamentos que os trabalhadores operam, também são fatores que prejudicam a saúde dos trabalhadores.

MetalRevista – É possível prevenir-se contra este tipo de doença?

Mario Freitas – Sim, o trabalhador deve sempre procurar a Cipa e o Sindicato e alertar sobre o problema, para que, deste modo, possa ser auxiliado. É preciso haver conscientização no sentido de não mascarar ou protelar a resolução do problema. Há casos em que a pessoa, por receio, acaba fazendo vistas grossas, tentando esconder a situação inclusive de si mesmo. Porém, mais cedo ou mais tarde, o problema vai estourar, e aí o quadro tende a estar bem pior do que no início.
MetalRevista – O Sindicato atua informando os trabalhadores e fiscalizando as empresas, porém este papel de fiscalização também pode ser feito pelos cipeiros, qual a importância de se ter uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, a Cipa, na empresa?

Mario Freitas – Uma Cipa atuante é uma forma de prevenção. Infelizmente as Cipas, com cursos ministrados pela empresa, mostram uma realidade distorcida. Porém, quando o curso é ministrado pelo sindicato através de palestras, nós mostramos a realidade do trabalhador. O que faz com que ele saia muito mais conscientizado da sua responsabilidade e daquilo que deve olhar e fiscalizar, colocar em ata. Infelizmente as empresas muitas vezes não sedem os trabalhadores para fazer o curso aqui no Sindicato.

MetalRevista – Quais trabalhadores podem se tornar cipeiros?

Mario Freitas – Todos os trabalhadores têm o potencial para ser cipeiro, basta se inscrever na Cipa e a inscrição é extensiva a todos os trabalhadores. Qualquer trabalhador pode fazer o curso no Sindicato. É dever do trabalhador denunciar a falta de condições próprias no ambiente da empresa.

Os trabalhadores podem e devem denunciar as más condições ao Sindicato, para exigir fiscalização, levantar os problemas para a Cipa e denunciar na DRT

 

 

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