Que país é esse?


Brasil surreal: como explicar o País em que vivemos a um estrangeiro?

Quem menos precisa de ajuda é quem mais recebe. Quanto maior o cargo, maior a imoralidade. Quanto maior a riqueza, em menos mãos está. E em meio a tudo isso… um palhaço é um dos melhores políticos do país.

Vivemos em um país surreal. Temos enormes riquezas e enormes misérias. Contudo, a maior miséria do Brasil é a moral. Quanto maior o poder do cargo ocupado, maiores são os absurdos que a população é obrigada a engolir. Está tudo na lei. O roubo ficou legalizado. A obra de ficção virou realidade, mas a sociedade não encontra meios para mudar os mecanismos que perpetuam e mantêm esse ciclo de injustiças e imoralidades.

Os absurdos que se tornaram o cotidiano da nação passam pelos três poderes e por toda a distribuição de riqueza do país. Aqueles que detêm o poder de modificar a realidade da sociedade brasileira são os primeiros a imprimir medidas abusivas, contraditórias e imorais. Os cargos são utilizados em benefício próprio. Utilizar um cargo público para servir à nação é motivo de piada. Este é o Brasil surreal, que seria difícil de explicar a qualquer estrangeiro.
Aprecie com moderação.

Pagamos mais impostos do que no Canadá e temos IDH pior que o do Azerbaijão

Brasil está entre os países com maior carga de impostos do mundo e entre os piores de qualidade nos serviços públicos e no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, nos últimos cinco anos o Brasil se manteve na lanterna do ranking de retorno dos impostos à população dos 30 países com maior carga tributária do mundo. Cobramos impostos para sermos um Canadá, mas temos educação, longevidade e PIB per capita para ficarmos atrás do Azerbaijão – que provavelmente você nem sabe onde fica – um governo semiditatorial na divisa entre a Ásia e Europa.

A pena máxima de um juiz flagrado em corrupção é a aposentadoria compulsória

Em 2005, Juvenal Gomes do Nascimento, de 18 anos, foi condenado a 5 anos de prisão por roubar uma galinha. Ele era réu confesso. Qualquer juiz que venda sentenças e lucre milhões prostituindo o sistema judiciário brasileiro terá como pena máxima deixar de trabalhar e continuar recebendo mais de R$ 25 mil por mês. É o caso de Paulo Medina, aposentado por unanimidade do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), em 2010, acusado de vender sentenças e receber R$ 1 milhão para beneficiar empresas de caça-níqueis e bicheiros. Desde que foi obrigado a parar de trabalhar, Medina já recebeu mais de R$ 1,18 milhão, desta vez legalmente. É a sua pena: a aposentadoria.

“Volto ao meu lar”

Paulo Medina, em carta aberta após ser condenado à aposentadoria compulsória.

Palhaço faz piadas na campanha eleitoral e é eleito deputado com a maior votação do Brasil

“Pior do que está, não fica”. Com esse e outros slogans surreais, Tiririca foi o deputado mais votado nas eleições de 2010, obtendo 1 milhão e 350 mil votos. Francisco Everardo Oliveira Silva – seu nome verdadeiro, concorreu pelo PR-SP e por pouco não bateu o recorde da maior votação da história, ficando atrás apenas de Enéas Ferreira Carneiro, do extinto PRONA. O mais incrível é que, em números estatísticos, ele foi um dos melhores deputados, sendo um dos únicos a participar de 100% das 171 sessões de votação da Câmara, ao contrário de outros 504 colegas.

“O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em

mim que eu te conto”

Tiririca, em programa eleitoral de 2010

Maior festa do país é financiada com dinheiro ilícito, e todo mundo sabe

As contas para uma escola de samba conseguir desfilar na Sapucaí são milionárias. A questão é que ninguém sabe exatamente de onde vem o dinheiro. Ou melhor, até se sabe, mas é melhor não comentar muito. Os recursos “oficiais” vêm de repasses dos governos por meio da Secretaria Estadual de Cultura, venda de ingressos para eventos de angariação de fundos (feijoadas, ensaios, rodas de samba) ou venda do enredo para homenagear uma cidade, cultura ou personalidade. No entanto, nenhuma escola de samba é capaz de se manter se não tiver um “patrono”,  algum fã da escola que ajude a subsidiá-la. Esses patronos muitas vezes são políticos, empresários, bicheiros e, comenta-se, até traficantes. Como a festa é bonita e traz um monte de turista para o Brasil, melhor não investigar.

O Carnaval carioca está ameaçado de falência, porque muitos banqueiros de bicho estão se afastando e as escolas recebem muito pouco pelo desfile.”

Preocupação de Joãosinho Trinta, carnavalesco da Unidos do Viradouro, em 1998.

“Se não fosse dinheiro da contravenção, hoje não teríamos o maior espetáculo audiovisual do planeta. Agradeça à contravenção.”

Neguinho da Beija Flor, em 2015.

Quanto mais pobre, maior a carga de impostos, e quanto mais rico, menor

A tributação brasileira atua de forma regressiva, ao contrário dos países desenvolvidos. Qualquer pessoa sensata poderia pensar, se queremos mais igualdade no Brasil, o melhor é que quanto mais riqueza se tenha, mais imposto se pague. No Brasil é ao contrário. O pobre é quem mais paga imposto, pois a tributação brasileira é baseada no consumo. Enquanto a dona de casa arca com impostos superiores a 27% na cesta básica, as grandes fortunas não são taxadas. De acordo à empresa de consultoria inglesa UHY, o Brasil é o segundo país que mais tem impostos sobre o consumo no mundo, ficando atrás apenas da Índia.

“Não discutir impostos sobre riqueza é loucura”

Thomas Piketty, economista francês.

1% da nossa população concentra quase 70% das riquezas do País

Análise publicada pela Receita Federal do Brasil, defendida em tese do Auditor Fiscal, Fábio Avila Castro, cruzando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e cálculos para se obter informações não declaradas ao Fisco, demonstra que os 0,9% mais ricos do Brasil possuem aproximadamente 68,49% do total da riqueza brasileira.

“A configuração da tributação brasileira favorece a concentração existente. Mudanças tributárias oportunizariam recursos para financiar educação e outros serviços públicos que permitem a ascensão daqueles que estão na base da pirâmide social”.

Róber Iturriet Avila, doutor em economia.

Deputado ganha de R$ 27.977,66 a R$ 41.612,80 por mês, oficialmente. Professor de R$ 862,80 a R$2.260,08

No país das contradições, talvez a pior delas seja a falta de perspectiva para os próximos anos. Enquanto milhares de professores marcham para não perder direitos conquistados frente a anunciada crise econômica, do lado de dentro do Palácio, o primeiro escalão do governo recebe aumentos salariais. Quem tem poder de aumentar seu próprio salário o faz indiscriminada e reiteradamente, contemplando de soslaio a vergonha de ter os formadores de todos os futuros brasileiros humilhados não apenas pela falta de estrutura nos seus postos de trabalho, mas também por seus baixos ganhos. Como exemplo, vejamos os deputados, que além do salário de R$16.500,00, ainda recebem auxílios para a moradia, combustível, telefone, passagens aéreas, 14º e 15º salário. O professor? Ah… o professor pode fazer tudo isso com cerca de R$2.000,00 porque não precisa ir a Brasília.

“Quem ensina os legisladores?”

Eco em Brasília

Uma mesma empresa financia milhões em candidatos e partidos adversários, em uma mesma eleição

O sistema eleitoral brasileiro é a origem de toda a corrupção política. As empresas apenas seguem o que está na lei. A democracia some do mapa e deixa em seu lugar disputas de marketing milionárias. Para as empresas financiadoras não importa quem vença, desde que deva favor. Isso permite que empreiteiras e bancos financiem praticamente todos os políticos eleitos no Brasil, de vereadores à Presidente da República. Altruísmo? Dados do Portal da Transparência do Governo Federal cruzados com os do site Os Donos do Congresso mostram que o retorno financeiro que essas mesmas empresas obtêm em contratos com o governo chega a 1300% nos quatro anos de mandato.

Juízes e promotores que moram em casa própria recebem auxílio-moradia superior a R$ 4,3 mil

Em outubro de 2014, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aprovou auxílio-moradia para todos os juízes do Brasil, em um valor cinco vezes superior ao salário mínimo, inclusive para aqueles que moram nas suas cidades de origem e têm imóveis próprios. Não importa que mais de 50 milhões de brasileiros vivam com menos de um salário mínimo e com isso sejam capazes de sobreviver, sustentando custos de moradia, transporte, alimentação e saúde. Não importa causar um impacto mensal de R$28,45 milhões aos cofres públicos, estendendo a regalia aos 6,5 mil juízes que ainda não recebiam esse benefício pelo seu estado. Não importa que o ápice da Justiça brasileira torne-se exemplo de imoralidade.

Mesmo com o país em crise, o Ministro Luiz Fux, da Suprema Corte, tomou a decisão de “auxiliar” todos os juízes federais, estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar, em suas necessitadas moradias.

Auxílio:

  1. Ajuda que se presta àquele cujo esforço é insuficiente.
  2. Esmola; socorro.”

Dicionário Priberam de Língua Portuguesa.

Governadores ocupam o cargo uma vez e recebem pensão vitalícia

Quem dera todos os empregos fossem assim, não é mesmo? Trabalhou quatro anos, recebe pro resto da vida. Levantamento feito pelo Globo nas 27 unidades da federação mostra que 157 ex-governadores e ex-primeiras-damas recebem aposentadorias especiais e pensões vitalícias que variam de R$ 10,5 mil a R$ 26,5 mil, o que significa um custo anual aos cofres estaduais de R$ 46,8 milhões. São 104 ex-governadores e 53 viúvas. Já os demais brasileiros, que não têm o privilégio de pertencerem a essa casta, precisam ter 30 anos de contribuição na Previdência Social ou 60 anos de idade para as mulheres e 65 anos para os homens.

 

 

 

 

 

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1 Comments

  1. Muito legal esse site. A crise econômica está complicada.

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